Guia Conar 2026: o que todo influenciador precisa saber
O que mudou em maio de 2026
O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) publicou em janeiro de 2026 e colocou em vigor em 13 de maio de 2026 o novo Guia de Boas Práticas em Publicidade Digital por Influenciadores. Ele substitui e amplia o guia de 2018 e passou a ser referência obrigatória pra qualquer creator que monetize conteúdo no Brasil.
A mudança principal: o que era recomendação virou regra. E quem descumprir pode receber sanção que vai de advertência pública a retirada de campanha, com dano real à marca.
As 3 categorias que você precisa entender
O guia separa o conteúdo publicado por influenciadores em 3 tipos, e cada um tem regras diferentes:
1. Publicidade (parceria paga)
É quando você recebeu algo em troca de falar de um produto ou marca — dinheiro, produto grátis, viagem, experiência, cupom exclusivo. Em qualquer um desses casos, é publicidade.
Obrigação: disclosure claro e imediato, no começo do conteúdo, antes mesmo do "oi, tudo bem?". Frases como "publicidade paga por X", "parceria com a marca X" ou "publipost". A palavra "publipost" sozinha, sem contexto, não é mais suficiente — o Conar quer que fique claro que tem dinheiro por trás.
2. Mensagem ativada (publieditorial)
É o famoso "publieditorial" — quando a marca envia o produto sem combinar post, mas a expectativa é razoável de que você poste. Exemplo clássico: você recebe um perfume caro, sem contrato, e posta stories "agradecendo". O Conar considera que, na ausência de contrato formal, a simples remessa de produto com potencial comercial já caracteriza publieditorial.
Obrigação: disclosure também, mas a linguagem pode ser mais leve ("recebi da marca X", "produto enviado por X"). A chave é não esconder a origem.
3. Menção espontânea (opinião)
É quando você comprou o produto com seu próprio dinheiro e simplesmente gostou. Não tem contrato, não tem produto grátis, não tem nada combinado. É a sua opinião real.
Obrigação: nenhuma. Mas a recomendação é: se a marca te mandar produto depois de uma menção espontânea e você postar de novo, esse segundo post vira publieditorial e precisa de disclosure.
Disclosure: como fazer direito
O Conar definiu critérios mínimos:
- No início do conteúdo. Antes do primeiro "oi" do vídeo, antes da primeira frase do post, antes de qualquer elogio ao produto.
- Em texto quando o conteúdo é em vídeo ou áudio. Não basta falar "isso é um publipost" — tem que aparecer na tela com o mesmo destaque, por pelo menos 3 segundos em vídeos longos, e durante todo o vídeo em stories rápidos.
- Em hashtag funcional. Usar
#publi,#publicidade,#parceriaou#publieditorialé obrigatório no post principal. Hashtags escondidas no fim de 30 outras não valem. - Sem abreviações confusas. "Ads", "AD" sozinho, "prop" não são aceitos como disclosure único.
Exemplos práticos
✅ Correto (story no Instagram):
[Texto grande na tela: PUBLICIDADE PAGА POR NIKE BR] + áudio "E aí galera, hoje eu vou mostrar o novo Air Max que a Nike mandou pra mim. A marca me pagou pra trazer isso aqui pra vocês."
❌ Errado:
Vídeo começa "Gente, olha que tênis lindo que comprei" e só no finalzinho aparece hashtag #publi minúscula.
✅ Correto (post no feed):
Legenda começa: "Publicidade: recebi da Granado pra testar a nova linha de perfumes. A marca me enviou o kit e eu paguei nada." Segue o review.
❌ Errado:
Legenda começa "Que delícia esse perfume novo, tô amando, comprei na farmácia" sem nenhuma marca de publieditorial.
Como se proteger na prática
1. Documente tudo. Se recebeu produto ou pagamento, guarda o e-mail, a mensagem no WhatsApp, o contrato. Se o Conar perguntar, você tem como provar a relação comercial.
2. Disclosure cedo e visível. Em vez de pensar "ah, isso vai estragar o gancho do vídeo", pense "se o Conar pedir, isso me protege". Coloca nos primeiros 5 segundos, em texto grande.
3. Não finja espontaneidade. Se a marca te mandou produto, fala. O público prefere transparência e o Conar exige.
4. Cuidado com "comprei" falso. Marcas que pedem pra você dizer que comprou sabendo que recebeu é uma fake disclosure. Conar pega isso e a sanção é pesada.
5. Treine seu time. Se você tem equipe que posta por você, todo mundo tem que saber das regras. Um post mal feito de um assessor pode gerar processo pra você.
O que pode dar errado se você descumprir
O Conar não tem poder de polícia — ele não aplica multa. Mas o poder dele é real:
- Suspensão de campanhas. Marcas grandes cancelam contrato com creator que foi pego.
- Dano à reputação. O Conar publica o caso no site dele, com nome e link pro post. Google indexa. Fica.
- Plataformas podem banir. Instagram, TikTok, YouTube podem tirar o post do ar e suspender a conta por reincidência.
- Processo judicial. O consumidor que se sentir enganado pode entrar com ação judicial. O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) já abriu investigação em casos de publipost sem disclosure.
E a GetBio entra nisso onde?
Diretamente, em lugar nenhum — a gente não regula conteúdo, não somos o Conar. Mas indiretamente: o GetBio é uma ferramenta de disclosure transparente. Você pode usar a bio da sua página pra deixar claro, em uma frase, que aquele link é parceria. Exemplo: "Abaixo, o tênis que a Nike me mandou pra testar. Publicidade paga."
Pequeno gesto, mas que mostra pro seu público e pro Conar que você leva a sério.
Fontes oficiais
- Texto completo do Guia Conar 2026: conar.org.br
- Tabela de sanções atualizada: Anexo II do guia
- Casos recentes julgados: sessão de julgamentos do Conar, atualizada semanalmente
Próximo passo
Se você é creator e ainda não leu o guia, lê hoje. 30 minutos de leitura que te protegem de meses de dor de cabeça.